domingo, 27 de fevereiro de 2011

indiferente insensível indivíduo

não divide com ninguém
não quer saber, não passa a bola

é um ser do absoluto
sempre vai buscar no que falta
sempre vai faltar no que esbanja

insasiável irredutível em-si-mesmado

não lhe restam perguntas
o que sobra no indivíduo
são as certezas

do tipo que sabe tudo
acha que é o bom e maduro
mas é frágil feito pulga

intransigente indivíduo adulto

tem muito
e quer tudo
não consegue
e fica puto

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Por Luis Fernando Veríssimo


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB  é a pura e suprema banalização do sexo. 

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB  é a realidade em busca do IBOPE. 

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. 

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. 

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. 
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia. 

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). 

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. 

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. 

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores) 

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.







Luis Fernando Veríssimo 
É cronista e escritor brasileiro

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hilda Hilst

Olhamos eternamente
para as estrelas
como mendigos
que eternamente
olham para as mãos.


E imaginamos
cousas absurdas
de realização.
Cousas que não existem
e cujo valor
é o de consistirem
parte da ilusão.


E olhamos eternamente
para as estrelas
porque parecem diferentes.
E quando agrupadas
eu as revejo individualizadas.
Estrelas... só.
Quem sabe se naquela imensidão
elas sofrem o mal dissolvente,
passivo,
mas dissolvente ainda: solidão.


Brilham para o mundo.
No entanto estão sozinhas
na lúgubre fantasia de pontas.


Nunca, meditem,
nunca as encontraremos
pois elas olham
igualmente para nós
e nos desejam
porque estão sós.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

com a vista inchada...

Olho que olha uma folha no chão não é só uma visão de folha no chão,
Olho que anda por aí, passo apertado e com a vista inchada, cheio de si
Olha na tela do celular, na tele-visão, o olho quer apertar botões
Confere números no muro, a foto da mulher gostosa e de batom vermelho,
Aguarda o semáforo e respira fundo - o olho cheio de sonhos e anúncios...


"A máquina audiovisual também vicia. Quem presta atenção à tela se dedica a ela, vive uma dependência crescente dela, vincula suas expectativas, sua economia emocional e intelectual a ela". (Türcke)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lula, o analfabeto

Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de 
miseráveis e pobres à condição de consumidores; 
e que também não entende de economia; pagou as contas de FHC, 
zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos 
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais 
escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 
universidades públicas e estendeu mais de 40 campi], e ainda criou o 
PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de 
bolsa para pobres em escolas particulares] . 

Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, 
elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de 
janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC. 
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da 
nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o 
PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não. 

Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de 
nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país 
à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de 
energia alternativa ao petróleo do planeta]. 
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas 
mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, 
passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20]. 

Lula, que não entende de política externa nem de 
conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a 
ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos 
da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. 
Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, 
cedeu a tudo e a todos. 

Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o 
primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no 
cargo de primeira ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua 
sucessora. Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a 
convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis. 

Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de 
Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é 
hora de o Estado investir; hoje o PAC é um amortecedor da crise. 
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a 
indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como 
também na linha branca de eletrodomésticos] . 

Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem 
fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as 
pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo 
para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...]. 

Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um 
brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush - 
notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com 
Barack Obama. 

Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um 
agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO - 
American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central de 
trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...] e entra 
na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio 
Sam lá, nos "States". 

Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar 
um mapa é autor da [maior] mudança geopolítica das Américas [na 
história]. 

Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois 
nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se 
torna interlocutor universal. 

Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um 
locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande 
legado, dentro e fora do Brasil. 

Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, 
pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para 
dialogar com Israel. 
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos 
os outros...! 


              Pedro Lima
(Economista e Professor da UFRJ) 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

big bosta brasil...



Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’..

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude..

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A poesia era um belo país

o que a água não carrega o que fica na p i a
dando voltas se negando girando resistindo
cascas de um ovo cascas de batatas
o que insiste em ficar o que não e n t r a
lixo restos lavados resistindo
o que gruda e d e s g r u d a
o lavado não sugado girando
as cascas o exterior resistindo
por Jorge Ricardo Aulicino

FELIZ ANO NOVO?

Ainda me lembro da última vez que desejei feliz ano novo. Foi agora há pouco. Um gesto gentil e banal. Uma grata demonstração de um tipo mecânico de afeto. Geralmente, quem te diz "feliz ano novo" nem faz idéia de como seria pra você um ano feliz. Não faz idéia porque não pergunta, não puxa assunto, não quer saber. Aí simplesmente diz "feliz ano novo". Diz da boca pra fora. Ou então quando rola depois do feliz ano novo um complemento tipo "sucesso!" ou, pior ainda, "tudo de bom!". Aí complica de vez porque desse jeito fica muito vago, quase sem sentido. Além disso, em tempos de competição acirrada no mercado de trabalho, no mercado de idéias e no mercado da esquina, o sucesso de outrem pode ser o seu fracasso. Como desejar tudo de bom a uma pessoa sem cair numa roubada? Ora, num exemplo besta eu posso pensar num coroinha de igreja que, de modo educado e informal, deseja ao padre "um feliz ano novo e tudo de bom!". Mal sabe ele que o padre, com olhar profundo e penetrante, é pedófilo. Ou, então, outro exemplo pode ser o pai desavisado que, na empolgação da virada, deseja ao filho um feliz ano novo, cheio de realizações! Pai desavisado, distante e cruel: o filho só pensa em suicídio. Ou, ainda, o favelado que esbarra com uma viatura policial na rua e, no impulso da loucura, diz aos pm´s "opa, feliz ano novo, sucesso". Pelo menos este vira as costas e dá no pé.